Debaixo da patente, a semente!
«A democracia é um sistema hoje reduzido a mecanismos formais que a esgotam e a levam à implosão»
Maria de Lurdes Pintassilgo, Visão, 8-1-1998
Um público passivo, ignorante sobre o significado das palavras OGM, transgénicos e outras que descrevem a aplicação da engenharia genética na agricultura, acordou de repente, perante uma situação inédita que é construída em Portugal.
O debate saiu finalmente da esfera restrita dos actores que, ao longo do último decénio, mobilizaram o debate no nosso país, ao lado do desconhecimento generalizado da população portuguesa sobre o tema. Quando o público toma conhecimento de algo que lhe é escondido, intencionalmente ou por mera acomodação ao mediatismo vigente, a democracia só tem a ganhar. E no dia 17 de Agosto, os cidadãos portugueses ficaram a ganhar, porque a democracia ganhou mais transparência num tema que é transversal, quer pelas suas implicações científicas, sociais, económicas, ecológicas e políticas, quer porque diz respeito a todos os cidadãos e cidadãs sem excepção.
Vários são os actores têm vindo a contestar no nosso país a utilização dos transgénicos na agricultura incluem associações ambientalistas, associações de agricultura tradicional, cooperativas de agricultura biológica e outros movimentos de cidadania, a maioria dos quais se agrupou sob o chapéu da Plataforma Transgénicos Fora! Do outro lado, os actores são pouco conhecidos (? parte do CiB, financiado pelas empresas do secotr e de alguns académicos que fazem investigação na área), por actuarem geralmente ao nível do legislador individual. Este tipo de estratégia dos lobbies do agronegócio consegue fazer passar leis que, a pouco e pouco (ou, por vezes, com valentes cuspidelas, como aconteceu com o Decreto-Lei 160/2005 da coexistência), introduzem os cultivos e alimentos transgénicos na nossa alimentação diária. Sem discussão, sem debate público.
Hoje, novos actores e novos debates estão em construção, perante uma nova situação, perante o inédito, perante o choque de um acto inconcebível aos olhos da sociedade portuguesa. No dia 17, a patente e o gene foram postos a descoberto e revelaram a sua identidade. Debaixo dessa capa que se manteve invisível aos olhos da cidadania, emerge a semente tradicional e uma boa e saudável gastronomia mediterrânica, cada vez mais ameaçadas pelo poeirento e cego tapete da plutocracia portuguesa.
Como dizia Guy Debord, uma das figuras de proa da Internacional Situacionista, no seu Relatório sobre a Construção das Situações, «a construção de situações começa após o desmoronamento moderno da noção de espectáculo. É fácil ver a que ponto se encontra associado ? alienação do velho mundo o princípio mesmo do espectáculo: a não-intervenção». Pois bem, o Movimento Verde Eufémia, na opinião da maior parte dos críticos, deu um muito mau espectáculo – portanto, do ponto de vista situacionista a missão está cumprida. Mais ? frente, Guy Debord refere que «a situação é feita para ser vivida pelos seus construtores» e que «o papel do “público”, senão passivo pelo menos apenas figurativo, deverá diminuir constantemente, aumentando, em contrapartida, a porção dos que não devem ser chamados actores, mas sim, num novo sentido de expressão, pessoas vivas». Basta um pequeno olhar pela comunicação social e, sobretudo, pela blogosfera, para ver quantos passivos ou figurativos do Movimento dos Cidadãos Acomodados (MoCA), desataram subitamente a falar de transgénicos (ainda que muitos se encontrem ainda na sua forma mais primitiva de vivência, lançando chauvinisticamente impropérios sobre a acção ou quem de alguma nela vê o mérito de um debate essencial).
Para quê uma bica servida a conta-gotas quando podemos ter Nescafé instantâneo? Qualidade? O que conta é a cafeína.
Debaixo da patente, ei-la! Aí está a semente!
(espalha-a por aí, não foi modificada geneticamente!)
* geralmente, gosto de usar a expressão pobre agricultor, mas neste contexto tenho alguma relutância em aplicá-lo a um empresário agrícola com mais de 70 hectares, num país em que a dimensão média da propriedade é de aproximadamente 10 hectares.

Thursday, 30 Aug, 2007 às 18:27 |
Encontrei por acaso o site. Acho importante que se debatam questões como essa dos transgénicos. É a nossa saúde que está em jogo. Já agora, gostaria de lhes apresentar um cartoon que fiz sobre o tema e que foi publicado no site do Expresso: Milho geneticamente vandalizado
Thursday, 30 Aug, 2007 às 18:52 |
Boa Gualter!
Não nos conhecemos, mas quero dizer-te que estiveste muito bem na entrevista na sic notÃcias feita pelo MCrespo, dadas as circunstâncias adversas. E dado que um entrevistador (jornalista?) de carreira como o MCrespo não consegue trazer para o debate este assunto tão sério que é a contaminação dos nossos campos pelos transgénicos, são necessários muitos mais blogues de informação alternativa e acções de informação de rua para que sejam os cidadãos a decidir que desenvolvimento querem para o paÃs e que futuro querem deixar aos vindouros!
Força aÃ!
Thursday, 30 Aug, 2007 às 19:23 |
Quem burro vai a verde,
burro vai e burro vem.
Thursday, 30 Aug, 2007 às 20:35 |
Percebeu-se que nada é melhor para agitar consciencias, que uma acção consciente.
Parabéns pelo blog
Friday, 31 Aug, 2007 às 3:06 |
Já tinha pensado nesse asterisco no meu blogue: então os meus avós e os meus pais, com um terreno de apenas 7 hectares de laranjal (por acaso a apenas 1 km da lameira), criaram uma famÃlia de classe média (até quase para o pequeno-burguesa) e nunca ninguém os considerou “pobres” e este senhor tem uma produção de milho no valor de 200 000 € anuais (50 vezes o ordenado mÃnimo anual) e um terreno 10 vezes maior que o nosso e é considerado “pobre”?!!!?! Parece realmente um abuso de linguagem.
Bem vindo à blogosfera, Gualter. Ontem à noite, em horário nobre a rtp transmitia um debate-fórum com 4 especialistas em transgénicos e uma delegada do ministério da agricultura. 3 anos volvidos desde a autorização dos transgénicos em Portugal e é a primeira vez que algo deste género acontece! Heróis como tu tornaram isto possÃvel.
Já agora: porque está cancelada a tua intervenção no Socialismo 2007? Foi decisão tua ou deles?
Friday, 31 Aug, 2007 às 11:15 |
Oh energúmeno (tu é que disseste),
tu não estiveste metido numa invasão a uma palestra da Shell na UCP há uns 3 ou 4 anos?
Friday, 31 Aug, 2007 às 15:36 |
Agora que já sabes usar a internet, só falta aprenderes a tomar conta da tua higiene pessoal!
Saturday, 01 Sep, 2007 às 3:16 |
Mau! Já não percebo nada.
Então afinal o homem é um empresário milionário!? Isso muda tudo.
Esse argumento, aliás, vem trazer seriedade à questão que se gerou à volta do milho.
De facto, os transgénicos já começavam a paulatinamente surgir na discussão, porém, após a acção do milho – e por causa da mesma – tal temática desviou-se para a seguinte: Até onde pode ir a auto-defesa?
A população esqueceu os transgénicos e quer saber a resposta à seguinte questão: Não deveria o agricultor ter morto dois ou três invasores? Podia fazê-lo? Devia fazê-lo?
Na minha modesta opinião, creio que o agricultor poderia ter morto dois, três e até mais manifestantes podendo, posteriormente, invocar com o sucesso que o fizera em legÃtima defesa.
Com efeito, ainda que me contraponham que a vida vale mais do que o milho, sempre direi o seguinte: seria exigÃvel ao agricultor aceitar que a invasão não se destinava a atentar contra a sua própria vida. Mais: mesmo que algum dos manifestantes lhe trasmitisse: “nós estamos aqui pelo milho, não é por si”, seria lÃcito impor ao agricultor (ou melhor, ao porco capitalista) que acreditasse na palavra de um grupo de encapuçados e mascarados que acabavam de lhe entrar propriedade adentro.
Exposto o supra, afigura-se-me que não era exÃgivel ao agricultor/porco capitalista não matar matar manifestantes e, se o fizesse, tal seria considerado legÃtima defesa.
Mas esta é apenas a minha opinião sobre o debate central que avultou do milho. O que pensam os restantes leitores?
Saturday, 01 Sep, 2007 às 4:11 |
Hoje à tarde (sexta-feira) o mar registou uma temperatura agradável, cerca de 21º, não aproveitaste para te lavares?
Saturday, 01 Sep, 2007 às 9:00 |
Olá Gualter,
parabéns pela entrevista (dadas as circunstâncias) e ainda bem que vieste para a blogosfera.
ms
Saturday, 01 Sep, 2007 às 12:22 |
Boas entradas.
Sunday, 02 Sep, 2007 às 21:41 |
Caro Gualter,
Qualquer tema que diga respeito à saúde pública deve ser debatido e as pessoas devem ser esclarecidas, nisso estou de acordo consigo. O que não posso aceitar é que, com o aperente objectivo de promover um debate ou de chamar a atenção sobre um tema, o sr. e o seu movimento recorram à violência como fizeram em Silves.
Não são as suas teorias pseudo-situacionistas que vão justificar os seus actos(e refiro-me a justificar os seus actos perante a opinião pública, não falo, obviamente, de uma justificação perante um tribunal onde estou certo que não tentará usar este tipo de argumentos).
Desejo-lhe boa sorte na sua luta contra os transgénicos. Espero que mude os seus métodos, caso contrário ninguem o levará a sério.
Cumprimentos,
Max Mortner
Thursday, 06 Sep, 2007 às 19:31 |
Gualter, só os homens ´de fortes pÃncÃpios são capazes de se expor à verocidade dos lambe botas. Os riscos que corres são grandes, mas é assim, que se separam as à guas. A acção colhe a minha simpatia. Pena que não tenhas denunciado a atitude pidesca do Mário Crespo, quando tentou que delatasses os “outros”. Por fim, afirmo-te a minha solidariedade e a minha disponibilade para ajudar financeiramente os possÃveis custos de tão geberosa acção.
Um abraço,
Nilo Grande
Friday, 07 Sep, 2007 às 10:02 |
correcção: voracidade e não verocidade; generosa e não geberosa
Saturday, 08 Sep, 2007 às 3:29 |
“Maçaroca diz:
Agora que já sabes usar a internet, só falta aprenderes a tomar conta da tua higiene pessoal!”
Bem, o teu discurso é mesmo limitado, só falas de banhos. Deves ter um trauma qualquer. Isto só prova o quão deficiente és, para não falar de parvinho :-p . Cura-te que bem precisas.
Saturday, 08 Sep, 2007 às 3:33 |
“Cachorro com cebola e milho diz:
Hoje à tarde (sexta-feira) o mar registou uma temperatura agradável, cerca de 21º, não aproveitaste para te lavares?”
Aqui pode-se dizer duas respostas:
1- Ui ui, para comeres cães com cebola e milho, quem precisa de se lavar és tu.
2- Se dizes que és cão (coitados dos cães, não é para os ofender), então certamente que não tomas banho. Vai-te lavar ò porco.