Ministério do Ambiente autoriza experiências com transgénicos em área protegida

Pela primeira vez desde que foi levantada a moratória ao cultivo de transgénicos (em 2003), o Ministério do Ambiente, através da Agência Portuguesa do Ambiente, autorizou o cultivo experimental de transgénicos em território português.

Estas autorizações colocam em risco a saúde pública e o ambiente e facilmente escapam ao controlo. Mesmo com os supostos controlos apertados que o Ministério do Ambiente quer fazer-nos crer que tem, a contaminação é incontrolável. Prova disso são os casos do arroz Liberty Link nos Estados Unidos ou, mais recentemente, o da colza na Bélgica. Em ambos os casos, não se consegue descobrir a verdadeira causa da contaminação das variedades convencionais, mas que ela acontece, acontece. E em países com sistemas de monitorização e controlo que historicamente são bem mais eficazes que os aplicados pelos nossos governos.

Esta aprovação torna-se ainda mais grave quando um dos locais aprovados – Monforte – está situado em plena Rede Natura. Ora, se por um lado se coloca uma área sob um regime de protecção devido à importância da sua biodiversidade, qual o sentido de, por outro lado se ignorar qualquer princípio da precaução e se aprovar uma experiência tecnológica que apresenta riscos indeterminados?

Em Ferreira do Alentejo a situação também não foi transparente, como aliás tem sido prática recorrente deste Governo em tudo o que diz respeito aos transgénicos. Aí, a Câmara Municipal não dispunha da documentação necessária para a realização do processo de consulta pública, como foi comprovado pela Plataforma Transgénicos Fora.

Também eu participei no processo de consulta pública e sei de pelo menos várias dezenas de pessoas que manifestaram a sua oposição ao cultivo, pelas mais variadas razões. No entanto, mais uma vez se provou que este processo apenas serve para burro ver. Nem um relatório da consulta pública foi emitido, onde eu posso pelo menos ver quantas pessoas se manifestaram contra ou a favor e quais os motivos apresentados. Para este Governo, a consulta pública é apenas um aborrecido trâmite burocrático e não um exercício de cidadania essencial num estado democrático.

Quem beneficia então da aprovação de tais cultivos, para que a sua aprovação seja tão forçada e tão pouco transparente? Não será certamente o interesse nacional que é defendido. Certamente seria interessante conhecer quais as manobras e influências que o sector da agrobiotecnologia tem neste governo. De facto, não parecem ser poucas. Desde o caso de Silves, o Ministro da Agricultura tem sido um efusivo apóstolo público dos transgénicos, negando toda e qualquer evidência de riscos e problemas com esta tecnologia…

2 Respostas a “Ministério do Ambiente autoriza experiências com transgénicos em área protegida”

  1. Rita diz:

    Se eu não tivesse já o SIS atrás de mim apenas por estar linkada no teu blog (lol) vinha para aqui dizer algo do género “bem então já se sabe onde se organiza o próximo Ecotopia” e conseguia logo a atenção dessa informada e eficiente instituição do governo. Portanto, no caso de alguém da comunicação social, da CIA ou de Marte nos estar a ler, faça-me o favor de ver o filme “We Feed The World”, que foi o que eu fiz ontem, e ficam logo com uma nova perspectiva sobre a necessidade que temos de transgénicos, explicada por um dos CEO da Pioneer itself. Beijinhos e abraços para todos os Men In Black:)

    PS: agora ocorreu-me que é altamente provável que ninguém do SIS ou da comunicação social ptguesa saiba o que é um CEO, e quando virem escrito Pioneer pensarem que comecei a divagar sobre leitores de CD…

  2. José Teixeira diz:

    Antes de consumir alimentos transgenicos, pensem na vossa saúde, na saúde do planeta e principalmente, não se esqueçam que as gerações futuras têm direito de viver com qualidade.