Cultivos experimentais de OGM: um repelente para os turistas Saturday, 01 Mar, 2008
Termina hoje o prazo da consulta pública para os ensaios de campo da Syngenta e da Pioneer em Monforte e Ferreira do Alentejo. Pelo quarto ano consecutivo a indústria da engenharia genética tenta realizar testes de campo em Portugal, sendo que nos anos anteriores tal tem sido rejeitado pelas autoridades e pela sociedade civil. Embora a consulta pública de pouco valha, a avaliar pelos contributos feitos nos anos anteriores pela Plataforma Transgénicos Fora e por vários cidadãos das zonas que foram alvo das intenções das multinacionais, este ano decidi participar desenvolvendo alguma argumentação de uma perspectiva sócio-económica. Às vezes, de pouco vale estar a discutir se a tecnologia é arriscada ou não, quando do lado da indústria e do governo estão os cientistas reducionistas (ou bem pagos), que insistem que o que estão a fazer é ciência comprovada. Pois bem, já os turistas alemães e ingleses talvez não achem o mesmo… fica o contributo, para a vossa apreciação.
Contributo para a Consulta Pública para ensaios de campo com OGM relativos às notificações B/PT/08/01 e B/PT/08/02
por Gualter Barbas Baptista
Eng.º do Ambiente
Investigador e Doutorando em Economia Ecológica na Universidade Nova de Lisboa
Venho por este meio expressar a minha discordância em relação à realização de ensaios de campo de milho geneticamente modificado tolerante a herbicida com o evento GA21 e de variedades de milho geneticamente modificado tolerante ao herbicida glifosato e sulfonilureia em Monforte e Ferreira do Alentejo, das variedades, pelas seguintes razões:
- Os cidadãos portugueses e europeus estão, na sua maioria, contra a utilização de OGM para fins alimentares, por considerarem que a tecnologia constitui um risco para a sociedade, é moralmente inaceitável e não traz benefÃcios;
- A libertação no ambiente de organismos geneticamente modificados, ainda que para fins experimentais, constitui um factor de risco para a contaminação da cadeia alimentar;
- A libertação no ambiente de organismos geneticamente modificados é prejudicial e até incompatÃvel com a actividade turÃstica;
- Portugal e a União Europeia não têm necessidade de cultivar milho transgénico, ainda que as suas produções fossem mais elevadas, pois a Europa é excedentária na produção de cereais.